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16. UMA PEDAGOGIA ATENTA AOS SINAIS DOS TEMPOS
E CRIATIVA NAS RESPOSTAS

Um conjunto de vozes que desde a Obra Murialdo de Turim nos chegam para testemunhar como se está atuando com criatividade e inovação nosso carisma hoje, enfrentando a situação atual, em toda a sua realidade, tendo sempre presente que se está trabalhando para dar aos jovens um espaço e um tempo educativo e formativo para hoje e amanhã. Inovação social, trabalho em rede, pedagogia e autonomia das atividades, são termos e recursos para implantar; teatro-Engim-acolhida-oficinas-empresa-presença na prisão- universitários-paróquia…são os limites de uma presença murialdina qualificada, responsável, compartilhada.

Danilo Magni
con l’apporto di:
Alessandro Mazza, Alessandro Richard, Alessio Barba, Antonio Didonna
Christina Scarmato, Ervin Anselmo, Federico Civera, Marco De Magistri
Laura Orestano, Marco Di Tonno, Marco Muzzarelli,
Monica Mantelli, Adelio Cola, Agostino Cornale
Samuele Cortinovis, Paolo Bornengo.

Si quieres profundizar

16. UMA PEDAGOGIA ATENTA AOS SINAIS DOS TEMPOS
E CRIATIVA NAS RESPOSTAS

(Danilo Magni
con l’apporto di:
Alessandro Mazza, Alessandro Richard, Alessio Barba, Antonio Didonna
Christina Scarmato, Ervin Anselmo, Federico Civera, Marco De Magistri
Laura Orestano, Marco Di Tonno, Marco Muzzarelli,
Monica Mantelli, Adelio Cola, Agostino Cornale
Samuele Cortinovis, Paolo Bornengo.)


O título, em torno do qual fui convidado a fazer uma contribuição, é bombástico! Fiquei me perguntando por um tempo o que escrever. No final, eu tive a ideia de evitar fazer um texto com conteúdos elevados que pode correr o risco de deixar um sabor de teoria e distância. Eu tenho, de fato, a sensação de que, como educadores Josefinos, às vezes nos sentimos fracos, porque Murialdo não nos deixou nenhum tratado orgânico de sua pedagogia. Isto- inconscientemente- nos pode levar a perigosos caminhos de sistematização e síntese. É melhor continuar a escrevendo ou reescrevendo sua história, ou melhor ainda as muitas histórias que se tem concretizado, começando pela do Colégio Artigianelli, de cujo conhecimento ainda há muito para aproximar a luz.
Refletir sobre o título atribuído me fez muito bem, porque eu percebo mais uma vez como o nosso fundador tem sido grande a partir deste ponto de vista. Murialdo não escolheu tornar-se um educador, senão que se descobriu educado por Deus e por sua incomensurável, excessiva, loucura de amor. A pedagogia de Murialdo não é e nunca será uma teoria, porque ela não é nada mais que o resultado, em constante evolução de deu deixar-se conquistar por Deus, na descoberta de corresponder-lhe amando-o, mesmo na fragilidade. É este amor que o levou a compreender em seu período histórico o grito contínuo de acolhida, cuidado e acompanhamento dos jovens mais necessitados. E como poderia ser de outra forma, se estamos falando do amor de Deus? Justo, o amor! Quando as relações, gestos e palavras que manifestam o amor se tornam em rotina, repetição… Observa-se amargamente que este tem vindo a ser menos ou até mesmo terminado. Se Murialdo tem feito muitas coisas diferentes e tem participado em mil iniciativas, não porque ele era um homem sábio, ou porque ele queria provar a validade de suas ideias pedagógicas. Simplesmente, porque o amor não se paralisa e sempre precisa de novidade, de re-criação. Esse amor que havia experimentado em si mesmo e com ele tentou viver até o último momento. Sem medo de uma vida cheia de riscos, dificuldades e mudanças constantes; de fato, com uma profunda esperança e confiança, enraizada em sua experiência pessoal do Senhor. Esta é a batida interior que sempre quero ouvir em mim e toda a Família de Murialdo, comprometida com a educação! Bem, para meu texto de reflexão sobre pedagogia atenta aos sinais dos tempos e portanto, criativa em suas respostas, eu decidi não ser somente eu a falar, mas dar voz a alguns dos meus irmãos e leigos, com os quais compartilhamos tantos momentos de trabalho cotidiano na “Opera Torinese”, no lugar onde nascemos e crescemos. Uma contribuição final pedi a um jovem, porque eu não podia faltar este coro “sua” voz. Escutemo-los juntos e recolhamos ideias e contribuições, se acha que pode haver algo de bom em nosso tema.

Pe. Cornale Agostino: Você é o pároco de Nossa Senhora da Saúde, onde se está refazendo o plano plurianual pastoral. Há aspectos neste re-pensar que você considera como “criatividade carismática” ou reforma educacional, de acordo com os sinais dos tempos?
Percebemos que as mudanças de situações sociais e pastorais exigiam uma busca apaixonada (que durou quase dois anos) compartilhada e reelaborada várias vezes por todos os membros do conselho pastoral para realizar sonhos e dar visibilidade ao “futuro que se quiser”.
Mais do que na edição anterior, o novo plano pastoral apresenta-se como um caminho aberto, pedindo a comunidade paroquial para se concentrar mais no desenvolvimento contínuo de pensamentos e projetos. As “quatro palavras-chave” são os motivos indicadores de um caminho: dizem-nos como gostaríamos de andar, que coisas que queremos fazer. Palavras que nos fazem lembrar os sinais da última estação capitular: carisma e relação (reciprocidade), carisma e formação, carisma e escuta-diálogo, com as diferentes culturas, carisma e comunicação, carisma e responsabilidade.
O organograma organizativo quer apostar “sobre o novo”. A partir do já existente e ” ajustando-lo” às novas exigências e desafios pastorais, queremos criar grupos específicos de mentalização e de tomada de decisões, superando as coordenações ligadas às pessoas áreas pastorais e desenvolvimento de novas coordenações ligadas com as pessoas: infância, adolescência, jovens, adultos, idosos.

Irmão Marco De Magistris: Sua principal tarefa é levantar fundos através MurialdoFor, com critérios e metodologias baseadas em estudos de campo e universitário e econômico. À primeira vista, parece que não há muito nem de carismático, nem de criativo, nem de pedagógico no que você faz. Que diz disso?
Há duas imagens nítidas em minha mente: 1. Os Evangelhos falam de que Jesus e os Apóstolos possuíam uma “caixa” comum para viver e realizar a missão de difundir a Palavra. 2. Murialdo tem enfrentado toda a vida os problemas econômicos para manter em pé o Colégio dos pequenos artesãos, inclusive “mendigando” pessoalmente na “Consolata”!
Criatividade, difusão do Carisma e difusão do pensamento pedagógico necessitam sustentabilidade para encarnar-se. O dinheiro, em seu valor nobre evangélico, não é “sujo”. Torna-se tal se é coletado para acumulação, ganância, fins egoístas. Coletar e disponibilizar para desenvolver as atividades e iniciativas para e a favor dos nossos jovens e pobres, necessitados de ajuda e educação cristã, valorizando também as novas metodologias de comunicação e as estratégias de marketing: é uma bonita missão evangélica! Eu vivo meu trabalho na sombra… Mas, para o bem de todos!

Pe. Samuele Cortinovis: Você veio do Oratório de Milão, desde há três meses que você está no “Opera Torinese de Murialdo”, ocupando-te principalmente do “Oratório San Martino”. Você viu nesse ambiente algum aspecto pedagógico “criativo” nas respostas?
Além de responder às diversas emergências educativas que os meninos trazem consigo ou a escassez de recursos e forças, noto uma atenção especial ao pensamento e ao projetar, para fazê-lo de modo comunitário, fazendo com que cada componente seja protagonista de mudança em uma lógica de proximidade a todas as outras realidades da Obra de Turim.
De uma forma mais esquemática, expressaria a criatividade no Oratório São Martinho, da seguinte forma:
1. Pensamento: “Ne perdantur “, atualizado para os jovens de hoje no bairro.
2. Pensamento unitário: Não é por setores de compartimentos estanques.
3. Pensamento unitário comunitário: Sem você, não é o mesmo.
4. Pensamento unitário comunitário no horizonte da Obra de Turim de Murialdo: Mais do que um sistema organizacional é a nossa casa comum na qual construímos, mesmo com cansaço, a família. Só pode ser entendido estando dentro. Talvez, do lado de fora, é mais difícil de perceber.

Pe. Adelio Cola: Você é o irmão mais velho desta comunidade Josefina, que vive constantemente no Colégio Artigianelli, ocupando-se especialmente da atenção do museu e da animação carismática em sua dimensão histórica. Nas transformações que estão sendo feitas detectam novas ou renovadas concretizações do carisma?
São Leonardo Murialdo sempre estava disposto a empreender novas iniciativas pastorais para o benefício dos jovens, ali aonde via que os sinais dos tempos exigiam novas estruturas educativas. Com um estilo elegante, respeitoso, corajoso, humilde e confiante na Providência, comprometia-se na primeira pessoa na animação espiritual das obras que eram realizadas em comunhão com os leigos, propostos por ele em primeiro plano, trabalhando pessoalmente no “fazer tratando de não aparecer”. ” Vejo neste momento várias pessoas ao meu redor, que atuam com prudência e corajosa humildade para dar à luz a novos projetos, imitando Murialdo em espírito e com sua intenção pura invocam a bênção de Deus sobre as iniciativas empreendidas.

Paolo Bornengo: “Para uma pedagogia atenta aos sinais dos tempos e criativa em suas respostas”. Existe alguma ação concreta que está sendo realizada em Engim Piemonte ( da qual você é o diretor) e que responda mais a esta afirmação?
A questão da atenção aos sinais dos tempos pode concretizar-se através do tema da”proximidade”, ou seja, a capacidade de reduzir a distância entre as pessoas e as instituições (e, em particular entre o ENGIM e os nossos jovens estudantes), sabendo que em cada lugar o Senhor planta sementes de esperança, que deverão germinar para que produzam frutos.
Para isso, precisamos estabelecer uma resposta pedagógica aos jovens que não esteja guiada somente pelo tema da “emergência educativa”, da ansiedade e o temor, mas que tenha uma abordagem positiva para a vida, construindo um justo equilíbrio entre o “não deixar ninguém para trás” e investir no capital humano dos que têm as “melhores qualidades”.
Em consequência, um importante projeto que iniciou este ano formativo, e que, sem dúvida, será replicado e melhorado no futuro, tem sido a experiência dos Acampamentos-Escola: Esta é uma atividade didática e educativa de três dias nas montanhas (incluindo alojamento) realizada durante as semanas iniciais do ano letivo (na primeira quinzena de outubro) e dirigida a todos os alunos nos primeiros anos de cursos de formação técnica (14-15 anos). Esta iniciativa, realizada por nossos educadores, oferece aos nossos alunos que começam sua experiência em ENGIM um importante tempo de conhecimento, de profundidade e participação que sem dúvida ajudará a construção de uma maior proximidade e atenção educativa.

Antonio Didonna: Há poucos dias abriu-se uma oficina para a produção de chocolate na casa de prisão de menores, onde já operava Murialdo. Naquela época, o lugar era conhecido como “A Generala”. Hoje é “Ferrante Aporti”…. Durante muitos anos, a Congregação trabalha com várias iniciativas no “Ferrante”. Por que esse projeto representa uma novidade absoluta?
O projeto “Spes@Work” é muito mais do que uma simples oficina para ensinar a fazer chocolate. “Spes@Work” é um desafio no pedagógico, educativo e empresarial. Educadores, o mestre chocolateiro, especialistas em marketing e vendas, tem envolvido os jovens detidos desde a realização da marca. Em seguida, passou a definir a linha de produtos e confecções; paralelamente se experimentava a produção.
Cada oficina conta com todas as autorizações para produzir. Assim barras, bombons, chocolates, etc., Pode entrar no mercado real. Os jovens estão conscientes de que o seu tempo e esforço não serão para a simulação de um trabalho, mas para um projeto empresarial real. Alguns dos rapazes poderão, no final da pena ou com permissão do magistrado, começar a trabalhar como estagiários/aprendizes fora da prisão na fábrica de chocolate da cooperativa social Spes e quem sabe… talvez alguém se decida a voltar para a escola para obter um título ou seguir trabalhando na indústria de confeitaria.
A novidade deste projeto? A oportunidade para o jovem ter um compromisso real com um projeto da empresa, que se inicia a partir da cadeia, mas que pode continuar e crescer afora. A relação educativa chega a ser uma oportunidade de encontro, de testemunho, de proposta, de alternativa.

Marco Muzzarelli: Você é diretor da Engim Artigianelli. Os sinais dos tempos que lê em que direção concreta induz você e a formação profissional a experimentar algum aspecto criativo?
Desde a abertura do Colégio Artigianelli, os rapazes que estavam nos cursos de formação, não só aprendem uma profissão, mas também o produzir, depois de alguns anos de prática, os produtos pedidos de fora. Muitos ex-alunos do Colégio iniciaram a atividade empresarial graças ao trabalho aprendido nos anos de formação. Entre eles estavam pintores e escultores, tipógrafos e mecânicos, alfaiates e carpinteiros, jardineiros e floristas. As oficinas de capacitação profissional são lugares físicos e sociais equipados, que atuam como mediadores e condicionantes da atividade. Muitos de nossos adolescentes sentem uma aversão profunda para as aulas, o estudo livresco, o desprendimento das coisas e dos problemas, das relações formais entre professores e alunos, as normas disciplinares extrínsecas.
É a pegada desses pensamentos e num contexto em que o mercado de trabalho não é mais capaz de acolher plenamente todos os jovens que estão capacitados, que no Artigianelli estamos tratando de criar as condições e as melhores oportunidades para que, no espaço da oficina, se materializem simultaneamente a atenção aos objetivos didáticos e a produção de serviços ou produtos disponíveis para venda externa. A atenção aos sinais dos tempos nos leva a valorizar novamente a experiência inicial do Colégio Artigianelli para que a produção das oficinas seja também uma oportunidade de sustento para este tipo de formação.

Christina Scarmato: Durante vários anos trabalha na elaboração de projetos do setor sócio-educativo ( centros diurnos, casas família, educação territorial, etc.) A crise do Estado de bem estar em nosso país: como foi forçado a reinventar a si mesmo? O que há de novo no que você vê e faz?
Os cortes de financiamento público para apoiar os serviços para os pobres têm forçado a repensar não tanto em termos de ação, mas de perspectivas: todos nós somos frágeis e/ou todos podemos tornar-se um. O conceito: “Eu vou cuidar de você”, não é mais válido; agora temos que dizer: “O que podemos fazer juntos?” A solução vem da co-construção, do esforço comum para criar ambientes acolhedores, que integrem e apóiem.
O tamanho da rede torna-se essencial. Alianças são formadas entre diferentes protagonistas: o mundo do “lucro” pode e deve falar com o “não-lucro”, a cultura se pensa novamente em bem social, o público e privado partilham a responsabilidade de programas de assistência social, o educador e o jovem juntos constroem caminhos viáveis. Ninguém perde a sua identidade, mas todos compartilham suas melhores capacidades, sua história, suas habilidades através de processos em que a nova ideia ou a solução de problemas nasce do contágio e da partilha.

Laura Orestano: Você cuida da inovação social. Sabemos que entorno a este assunto há um grande interesse, mas também confusão e, às vezes, há apenas muitas palavras. Através de exemplos, diga-nos brevemente como se encarna a pedagogia de Murialdo no que você faz.
A pedagogia de Murialdo tem dois elementos centrais de atração e inovação: fazer e sustentar.
A inovação social desenvolve ideias, produtos e serviços para o bem comum e tem dois elementos básicos: experimentar e gerar a sustentabilidade.
O posicionamento do chocolate SPES, o desenvolvimento do empreendimento multiserviços Dinamo Coop, a articulação da comunicação interno-externa, a recepção e a incubação de ideias de auto- empreendedorismo e de empresa social, o acompanhamento às hibridações tecnológicas e sociais, o desenvolvimento de novas áreas de negócio são exemplos concretos do que estamos fazendo a traduzir-se em um contexto de crise do Estado de bem estar e do trabalho, aspectos do carisma murialdino.
O trabalho que estou tentando desenvolver, com alguns jovens, experimenta novos produtos, serviços e ações para o bem comum e projeta sustentabilidade do projeto e autonomia das soluções e ações: os jovens são os agentes de mudança, vão experimentando um ecossistema de pensamento, análise dos desafios sociais, possíveis soluções e visão de valor social e econômico a médio e longo prazo. O Carisma Murialdino é como motor de constante inovação social.

Monica Mantelli: Pedimos que você nos ajude a dar nova vida ao Teatro Iuvarra e ex- Procope, porque somos conscientes de que nestes tempos difíceis, é necessário para restaurar o vigor e o peso dos locais de elaboração e promoção de uma cultura de matriz cristã. O que há de pedagógico sobre o que você está fazendo?
Cada vez tem mais importância a relação entre a formação espiritual e o desenvolvimento democrático da sociedade, e entre a educação ética e as boas práticas do fazer social e laboral. Seja profissional ou artesanal, o objetivo pedagógico prioritário é, em minha opinião, educar as pessoas ativas e parceiras, para formar juntos em comunidade, uma sociedade mais sustentável e atenta às necessidades das pessoas, da natureza e do meio ambiente.
Para inserir no universo linguístico e perceptivo estes valores, é necessário trabalhar não só com o cérebro, mas também com as mãos. E inclusive com a alma, poderia acrescentar.
A alma se expressa muitas vezes através da beleza das artes: pintura, escultura, música, canto, recitação, dança, ao que atualmente se agrega hoje: artesanato, desenho, moda, fotografia, gráfica, vídeo, cinema e, é claro, a alimentação e agricultura no sentido mais amplo do término. Reativar esses dois lugares (Iuvarra e Procope), históricos e prestigiosos âmbitos de elaboração e encontro de todas estas disciplinas práticas, é o espírito com o que eu vejo a evolução do processo iniciado por Murialdo em meados do século XIX .

Alessandro Richard: Estamos experimentando com a Arquidiocese de Turim um amplo projeto de pastoral universitária e você é o coordenador com Pe. Luca, responsável do escritório diocesano. Por que este projeto? O que tem a haver com a pedagogia de Murialdo?
Cruzando alguns dados, nos damos conta de que 1 em cada 10 habitantes na cidade é um jovem estudante na universidade. Um patrimônio imenso, muitas vezes não valorizado. Então, no ano passado, começamos com a abertura de uma oficina em cada uma das faculdades que estão presentes na cidade, a fim de ter um espaço para poder encontrar os universitários para iniciar uma relação em seu “lugar” cotidiano. Este ano nós adicionamos novas atividades, como o projeto ” “Servir com Louvor”, cujo objetivo visa a inserção de estudantes em um serviço voluntário numa das muitas realidades presentes na área. Eu desenvolvo um papel de tutor dos estudantes nas faculdades e os sigo ao longo de todo seu processo como voluntários, encontrando-me com eles várias vezes durante o ano letivo e também nos lugares onde realizam seus trabalhos voluntários.
Neste período, também se está considerando a abertura de um grupo escoteiro, que pode acolher o primeiro clã universitário da cidade de Turim. Claro, um cuidado especial é reservado para o grupo de estudantes que residem no Colégio Artigianelli.

Federico Civera: É pouco tempo que você está com a gente. Você cuida das finanças e da economia. Por que uma pedagogia criativa necessita hoje, de novas ideias sobre a economia de atividades educativas e sociais, como aquelas murialdinas?
Minha reflexão é neste sentido: o nosso país, a nossa sociedade está lutando com uma grave crise econômica que nos obriga a pensar cuidadosamente sobre nossas futuras ações e nosso papel na vida cotidiana. Além disso, o compromisso do setor público em relação ao campo sócio-educacional está ficando menor. Isso implica ter que repensar e reestruturar as nossas atividades, à luz da nova a realidade que nos rodeia. No realizá-la, podemos usar tanto a nossa criatividade, quanto nossa experiência com o tempo decorrido (pessoal e comunitariamente).
A crise, neste sentido, pode ser um motor de mudança e de estimulação. E, olhando para a história do Artigianelli, é natural de repensar com toque moderno as atividades econômicas “lucro” em apoio das atividades educativas e sociais destes lugares.

Ervin Anselmo: Sua função é a de coordenar os projetos de educação territorial. Isto significa que muitas concretizações projetuais carismáticas para os jovens já não têm lugar na Obra tradicional, senão no território. Quais são do seu ponto de vista, as experiências que te parecem mais perto do título: “Por uma pedagogia atenta aos sinais dos tempos e criativa em suas respostas”?
A educação territorial se desenvolve em dois níveis: um que se refere à dimensão grupal e outro que tem mais em conta o indivíduo. A peculiaridade é para levá-la do lado de fora das estruturas da Obra, o território é entendido como estruturas de “outros” (presídio para menores, Cascina Roccafranca, escolas, jardins…).
A dimensão grupal se experimenta, sobretudo dirigindo-se aos jovens que tem como “casa” estes locais públicos (parques, piscinas, ruas) e passam muito tempo lá. Assim, os objetivos se concretizam de acordo com as necessidades educacionais atuais, em resposta à forte exigência de respeitar o outro que está em frente e as coisas que são “de bem comum”; porque em uma sociedade que mais premia o individualismo e o materialismo, muitas vezes os jovens têm que entender que o que a comunidade oferece não só é um direito, mas também um dever que deve ser mantido.
A dimensão individual, no entanto, responde à necessidade de apoio nos processos educativos de cada jovem, mas também ao pedido de apoio das próprias famílias, que hoje cada vez mais pedem ajuda para acompanhar os meninos em seu modo de vida.

Alessandro Mazza: As transformações da obra desses anos fizeram você mudar com frequência, às vezes até para o sofrimento. Você acha que vale a pena? Se é sim, por quê? É apenas uma questão de organização ou há algo mais?
Nos últimos anos, a Obra de Turim de Murialdo está se transformando profundamente, animada pelo desejo de tornar presente o carisma de maneira atual e eficaz, indo ao encontro dos jovens pobres e das novas formas pobrezas, em um contexto sócio-econômico e cultural de grandes mudanças.
Neste horizonte, creio eu, devem ser colocadas também mudanças necessárias nas funções e tarefas do pessoal e na qual eu já estive envolvido. Pergunto-me se vale à pena. Claro que vale a pena! Vale à pena se permanece, de fato, nesta ótica, e não só na organizacional, finalizada em si mesma para manutenção estéril do existente e das posições adquiridas. Vale a pena justamente porque há algo mais: uma Congregação que permanecera imóvel em um mundo global que está mudando profundamente estaria destinada a morrer lentamente, tornando-se estéril e, sobretudo trairia o carisma para o qual ele nasceu: o serviço aos jovens pobres.
Portanto, reorganizar-se e solicitar alterações em funções, embora possam causar alguns desconfortos, é coerente com a preocupação de ser fieis ao coração do carisma… “Ne perdantur”, que hoje é mais atual e evangélico que nunca. Se o carisma é compartilhado, se for animado pela mesma preocupação para com os jovens pobres, qualquer “sofrimento” pode ser facilmente enfrentado e superado.

Marco Di Tonno: Tem sido por vários anos um dos coordenadores educativos da comunidade Murialdo e agora você coordena a organização social Dinamo Coop. Não poderíamos ver esta mudança como uma traição de sua vocação educacional e murialdina junto às crianças menos favorecidas?
Espero que não! A organização social Dinamo Coop entre outros fins, também tem para gerar trabalho, não só para os jovens, mas também para adultos em dificuldade econômica e social. Se pensarmos que com muita frequência os adultos envolvidos são os pais dessas crianças necessitadas, é como estar de todos os modos a seu lado de qualquer maneira. Para alcançar este objetivo tento modelar meu trabalho mantendo a vocação pedagógica murialdina dos anos anteriores, tentando construir com os meus colaboradores no Dínamo, tanto quanto possível, as relações de trabalho baseadas também em compartilhar o estilo e vocação murialdina.

Alessio Barba: Você é um jovem que vem de uma história não é fácil. Por algum tempo você mora no Colégio Artigianelli e passa várias horas de seu dia de trabalho em uma das nossas organizações sociais. Você se sente realizado nesta fase da sua vida? O que significa para você e seu projeto de vida viver hoje no Artigianelli.
Sou um jovem que vem de uma casa-família, que me acolheu desde que eu tinha um ano e meio até que nossos caminhos foram divididos. Logo, através dos serviços sociais, cheguei ao Colégio Artigianelli Turim. Desde há dois anos que vivo nessa estrutura, em que tenho podido fazer diferentes experiências de trabalho, assim como de vida. As mais significativas foram na fábrica de chocolate Spes (6 meses) e a outra, onde eu ainda estou trabalhando, na cooperativa de serviços múltiplos Dinamo Coop. Neste momento sinto-me protegido para viver no Colégio Artigianelli, mas estou ciente de que a realidade exterior será diferente da que eu estou vivendo agora aqui. No Artigianelli me sinto um pouco como em uma grande família, desde que, no entanto, sei que mais cedo ou mais tarde vou ter que retirar-me. Espero em breve encontrar um trabalho estável e assegurar-me de ser independente. Para mim, a vida no Artigianelli tem sido uma grande oportunidade. Além da hospitalidade, sou muito grato porque me dou conta de que estar com vocês melhorou também como pessoa e me sinto muito mais maduro. No futuro espero continuar frequentando a realidade josefina e ter a oportunidade de participar em algum projeto importante que possa gerar uma mudança na minha vida.

Talvez não fosse essa a contribuição que me pedia. Certamente, essa contribuição ficou muito longa. Mas em “atenção” a um mundo que muda e a “criatividade” com fidelidade ao carisma precisa de muitas vozes, de um coro, de uma comunidade, de uma família unida. E neste sentido, as palavras que Murialdo, pedagogo, nos legou, em herança, embora não façam parte de nenhum tratado, são muito claras e fortes.


Danilo Magni
con l’apporto di:
Alessandro Mazza, Alessandro Richard, Alessio Barba, Antonio Didonna
Christina Scarmato, Ervin Anselmo, Federico Civera, Marco De Magistri
Laura Orestano, Marco Di Tonno, Marco Muzzarelli,
Monica Mantelli, Adelio Cola, Agostino Cornale
Samuele Cortinovis, Paolo Bornengo.

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